Odeio-te.
Com toda a força do meu ser e toda a capacidade de um ser humano odiar outro.
Roí todo o verniz das unhas enquanto aguentava a dor e me concentrava para aguentar o sofrimento.
Doeu-me a alma numa mágoa sem palavras.
Nunca o desprezo foi tão forte. Nunca as palaras "não quero saber" tiveram tanto significado.
Viraste-me as costas enquanto te rendias na luta por mim. E o pior é que não tenho mais que culpar...
Carreguei toda a noite o peso da esperança de ver o sol nascer contigo mas tudo se apagou com as luzes da cidade.
Sinto o teu cheiro e a memória... ser tão ridiculamente infantil faz-me ter pena de mim própria enquanto sinto o quanto posso ser idiota...
Sentir o toque da loucura numa noite sem fim e sem promessas e saber que hoje é dia de inconsciência e liberdade.
Vi o sol nascer sobre a cidade no miradouro e agradeço a idiotice... imagens sem mácula vão agora ficar na memória duma noite que terminou frustrante de ódio e raiva no limite do que é capaz o ser humano...
segunda-feira, 18 de junho de 2012
sábado, 16 de junho de 2012
Sedenta
Preciso de me alimentar. Estou sedenta.
Nos meus olhos apaga-se a cor de fogo...estou a esmorecer.
A energia está no limite e o meu corpo grita "battery low".
Falta-me a motivação para me mover e continuar e a debilidade tem a força de um tornado.
Toda a actuação é involuntária e inconsciente excepto quando passo a linha que me separa da demência.
Tentei ganhar a guerra contra um inimigo real: a tua resistência.
Já não sei se ganhei pela minha teimosia ou pela tua.
Já não sei se perdi por estar tão debilitada ou porque tu foste mais forte.
Estou exausta.
Já não consigo pensar.
Sei que o sono não me fará recuperar.
O predador precisa de uma presa...
Nos meus olhos apaga-se a cor de fogo...estou a esmorecer.
A energia está no limite e o meu corpo grita "battery low".
Falta-me a motivação para me mover e continuar e a debilidade tem a força de um tornado.
Toda a actuação é involuntária e inconsciente excepto quando passo a linha que me separa da demência.
Tentei ganhar a guerra contra um inimigo real: a tua resistência.
Já não sei se ganhei pela minha teimosia ou pela tua.
Já não sei se perdi por estar tão debilitada ou porque tu foste mais forte.
Estou exausta.
Já não consigo pensar.
Sei que o sono não me fará recuperar.
O predador precisa de uma presa...
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Anagrama absurdo de sentidos
Múltiplos de hipóteses.
Múltiplos de escolhas... e todas elas consequentes.
Catálise.
Mudança de velocidade da reacção química na adição do oxigiénio consumido.
Quedo-me sem saber ao certo qual o catalisador que acelera a reação dos teus olhos fitos nos meus na possibilidade de fazer devastar uma montanha inteira em minutos....
Desconsiderar o que se passa nas moléculas que viajam no espaço que partilhamos e que aumenta e diminui demasiadas vezes.
Escolher ignorar o que é impossível passar despercebido.
Desaparecer do raio da tua existência para ver-te apenas passar impalpável na mesma cidade que habito e fechar os olhos quando estou perto de ti...
"Porque gosto dos teus olhos... e não quero deixar de os ter em cima de mim."
Baixar as armas e deixar consumir o fogo que queima iluminando a noite e deixa no ar centelhas que podem incendiar algo mais perigoso e consequente...
Um anagrama absurdo de sentidos em vez de palavras...
Verdades. Possibilidades. Variáveis demasiado mutáveis.
Realidades que se alteram em trinta minutos banais de metamorfose...
Múltiplos de escolhas... e todas elas consequentes.
Catálise.
Mudança de velocidade da reacção química na adição do oxigiénio consumido.
Quedo-me sem saber ao certo qual o catalisador que acelera a reação dos teus olhos fitos nos meus na possibilidade de fazer devastar uma montanha inteira em minutos....
Desconsiderar o que se passa nas moléculas que viajam no espaço que partilhamos e que aumenta e diminui demasiadas vezes.
Escolher ignorar o que é impossível passar despercebido.
Desaparecer do raio da tua existência para ver-te apenas passar impalpável na mesma cidade que habito e fechar os olhos quando estou perto de ti...
"Porque gosto dos teus olhos... e não quero deixar de os ter em cima de mim."
Baixar as armas e deixar consumir o fogo que queima iluminando a noite e deixa no ar centelhas que podem incendiar algo mais perigoso e consequente...
Um anagrama absurdo de sentidos em vez de palavras...
Verdades. Possibilidades. Variáveis demasiado mutáveis.
Realidades que se alteram em trinta minutos banais de metamorfose...
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Game over
Acabam-se as palavras...
Desvaneceste-te no espaço e decido que deixes de habitar a minha vida.
Vou guardar as memórias numa prateleira como já tantas vezes fiz.
Acaba-se o tempo.
Acaba-se a dívida.
Acaba-se o jogo.
O que não foi vivido nunca mais o será.
Ainda tenho o poder de controlar o meu espaço.
Rendo-me. Dou-me por vencida. Ganhaste o jogo!... mas perdeste-me a mim.
Ao fim e ao cabo, ambos sabíamos que isto iria acontecer...
Desvaneceste-te no espaço e decido que deixes de habitar a minha vida.
Vou guardar as memórias numa prateleira como já tantas vezes fiz.
Acaba-se o tempo.
Acaba-se a dívida.
Acaba-se o jogo.
O que não foi vivido nunca mais o será.
Ainda tenho o poder de controlar o meu espaço.
Rendo-me. Dou-me por vencida. Ganhaste o jogo!... mas perdeste-me a mim.
Ao fim e ao cabo, ambos sabíamos que isto iria acontecer...
Viver. Esquecer.
Tão doce o silêncio.
Um cérebro adormecido, um corpo danificado, a mente toldada pelo excesso.
O discernimento evaporou-se na perniciosidade da loucura e da inconsequência.
Traços de memória, laivos de palavras, frases soltas sem significado.
O desfecho sempre foi previsível. O dano sempre foi consciente.
Os pés galgaram caminhos tortuosos mas a resignação era adquirida. Não importa.
No momento nada importa e com as consequências lidar-se-à mais tarde.
Fica uma sensação de balão de hélio a rebentar com o cérebro e a consumir a memória.
Há coisas que são apenas para ser vividas. Não para serem lembradas.
Um cérebro adormecido, um corpo danificado, a mente toldada pelo excesso.
O discernimento evaporou-se na perniciosidade da loucura e da inconsequência.
Traços de memória, laivos de palavras, frases soltas sem significado.
O desfecho sempre foi previsível. O dano sempre foi consciente.
Os pés galgaram caminhos tortuosos mas a resignação era adquirida. Não importa.
No momento nada importa e com as consequências lidar-se-à mais tarde.
Fica uma sensação de balão de hélio a rebentar com o cérebro e a consumir a memória.
Há coisas que são apenas para ser vividas. Não para serem lembradas.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
O outro lado dos Santos
Lisboa abanou por mais uma noite.
Os Santos Populares têm uma capacidade extraordinária de trazer gente à rua e de colocar o povo em alvoroço a abusar da noite de Santo António.
Demasiada gente invadiu as ruas. Demasiados carros entraram na Cidade. Demasiado álcool foi consumido.
As ruas cheiravam a urina e não havia wc em lado nenhum. Paguei 0,50€ para entrar numa antiga casa Lisboeta, que tinha apenas uma divisão, para conseguir usar uma casa de banho. A tinta saltava da parede e a decoração remontava aos anos 70 e deliciei-me ao invadir assim um mundo que me era desconhecido. A fotografia da mãe e naperon a decorarem a sala/quarto e a antiga frigideira de latão pousada no fogão.
Os negócios aconteciam a cada canto, com razões e proveitos diferentes: bebida, comida, drogas. Nesta noite tudo se vende e tudo se compra. Os preços foram sendo inflacionados ao longo da noite e à medida que diminuía a oferta. Qualquer canto, qualquer pátio, qualquer janela eram bons lugares para acrescentar alguns trocos ao rendimento mensal.
O mar de gente que empurrava para a frente e para trás adensou-se a meio da noite e pensei que era esmagada. As pessoas empurravam-se, acotovelavam-se e insultavam-se tentando romper por entre os impacientes bêbedos e os semi-conscientes.
O lixo abundava por todo o lado e amontoava-se debaixo dos pés causando ainda mais instabilidade na deslocação por entre a multidão.
A noite começou a ficar perigosa...
No final da noite precisei de descer da Sé, ir até ao Cais do Sodré e subir ao Príncipe Real para apanhar um táxi: em cada praça as filas tinham dezenas de pessoas. Foram 3 km a subir Lisboa que percorri, já exausta, às 5 da manhã.
A Cidade parecia que apenas àquela hora estava a começar a adormecer... e eu já tinha passado à muito o limite da lucidez.
Os Santos Populares têm uma capacidade extraordinária de trazer gente à rua e de colocar o povo em alvoroço a abusar da noite de Santo António.
Demasiada gente invadiu as ruas. Demasiados carros entraram na Cidade. Demasiado álcool foi consumido.
As ruas cheiravam a urina e não havia wc em lado nenhum. Paguei 0,50€ para entrar numa antiga casa Lisboeta, que tinha apenas uma divisão, para conseguir usar uma casa de banho. A tinta saltava da parede e a decoração remontava aos anos 70 e deliciei-me ao invadir assim um mundo que me era desconhecido. A fotografia da mãe e naperon a decorarem a sala/quarto e a antiga frigideira de latão pousada no fogão.
Os negócios aconteciam a cada canto, com razões e proveitos diferentes: bebida, comida, drogas. Nesta noite tudo se vende e tudo se compra. Os preços foram sendo inflacionados ao longo da noite e à medida que diminuía a oferta. Qualquer canto, qualquer pátio, qualquer janela eram bons lugares para acrescentar alguns trocos ao rendimento mensal.
O mar de gente que empurrava para a frente e para trás adensou-se a meio da noite e pensei que era esmagada. As pessoas empurravam-se, acotovelavam-se e insultavam-se tentando romper por entre os impacientes bêbedos e os semi-conscientes.
O lixo abundava por todo o lado e amontoava-se debaixo dos pés causando ainda mais instabilidade na deslocação por entre a multidão.
A noite começou a ficar perigosa...
No final da noite precisei de descer da Sé, ir até ao Cais do Sodré e subir ao Príncipe Real para apanhar um táxi: em cada praça as filas tinham dezenas de pessoas. Foram 3 km a subir Lisboa que percorri, já exausta, às 5 da manhã.
A Cidade parecia que apenas àquela hora estava a começar a adormecer... e eu já tinha passado à muito o limite da lucidez.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Ferraris e Lamborghinis
Todos os homens desejam Ferraris e Lamborghinis ( quem diz estes fala em todos os outros do mesmo género).
Querem a luxúria do carro, a potência e a velocidade. Amam o Design, a cor, o brilho.
Adoram o risco, a adrenalina, a pressão.
Anseiam pelo Status e adoram exibir o seu instrumento.
Quando passam pelos outros carros sentem-se maiores e mais poderosos. Sentem-se Deuses.
O único problema é que há carros que não são para qualquer homem: é preciso destreza para os conduzir.
É preciso dar-lhes atenção, dedicar-lhes tempo. Tratar bem de cada peça e cada encaixe.
Depois, a condução não é igual a todos os outros carros: pé no acelerador e mão no volante não é suficiente.
O problema é que todos os homens sonham em ter um Ferrari, ou um Lamborghini ou um Aston Martin, mas a verdade é que a maioria não saberá como controlar o carro, não saberá retirar dele todas as potencialidades, não saberá como fazê-lo responder exactamente como sonhou quando as rodas deslizam sobre os asfalto a 250km/h.
Todos os homens sonham ter um carro destes.
Nem 10% conseguem aproveitar as funcionalidades da máquina a 100%.
90% vivem frustrados pelo mau investimento quando é a eles próprios que falta a destreza para conduzir.
O exemplo do carro é igual ao das mulheres.
Querem a luxúria do carro, a potência e a velocidade. Amam o Design, a cor, o brilho.
Adoram o risco, a adrenalina, a pressão.
Anseiam pelo Status e adoram exibir o seu instrumento.
Quando passam pelos outros carros sentem-se maiores e mais poderosos. Sentem-se Deuses.
O único problema é que há carros que não são para qualquer homem: é preciso destreza para os conduzir.
É preciso dar-lhes atenção, dedicar-lhes tempo. Tratar bem de cada peça e cada encaixe.
Depois, a condução não é igual a todos os outros carros: pé no acelerador e mão no volante não é suficiente.
O problema é que todos os homens sonham em ter um Ferrari, ou um Lamborghini ou um Aston Martin, mas a verdade é que a maioria não saberá como controlar o carro, não saberá retirar dele todas as potencialidades, não saberá como fazê-lo responder exactamente como sonhou quando as rodas deslizam sobre os asfalto a 250km/h.
Todos os homens sonham ter um carro destes.
Nem 10% conseguem aproveitar as funcionalidades da máquina a 100%.
90% vivem frustrados pelo mau investimento quando é a eles próprios que falta a destreza para conduzir.
O exemplo do carro é igual ao das mulheres.
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