domingo, 21 de outubro de 2012

Personagens

Olho-me ao espelho. 
Escolho a personagem. 
Hoje os meus olhos estreitam-se. O meu corpo está direito. 
Hoje quero ser a malícia. Amanhã serei a doçura.
O preto e o branco. O preto ou o branco. 
Sinto o sangue acelerar nas veias e vejo-me a mudar. 
A alvura da pele a acentuar-se no contraste espartilhado do negro que escolho para me dar forma e se entrelaça na renda que me molda e cria uma extensão até aos Pumps. 
Vejo-me ao espelho e sinto-me imensa. 

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Contradição

Sinto no corpo um cansaço extremo e na alma uma excitação tremenda...
No outro lado da vida, no outro lado do muro vou encontrar a paz e a felicidade que almejo.
Pensar que cada dia é uma tentativa estúpida e repetida de controlo destrói-me... pensar na vida como uma limitação desconstrói todos os princípios por mim perfilhados e seguidos.
Não quero manter tanto controlo sobre as coisas.
Não quero ter que pensar em variáveis infinitas para cada decisão que desejo tomar.
Como me posso sentir tão forte e tão fraca ao mesmo tempo? Tão capaz e tão limitada na minha actuação...
Pensar, sentir, descansar, decidir... o caos tornou-se aleatório... contradição.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Felicidade

Há coisas na vida que sabem tão bem...
Muitas vezes não presto atenção suficiente aos momentos diários que me fazem feliz. Muitas vezes estou cega perdida nos meus pensamentos e os meus olhos olham mas não vêem. O sorriso de um bébé, um café com os amigos, uma flor que brota à porta de casa.
Até uma tarde não planeada na praia a rir com desconhecidos ou uma viajem que me permite parar um pouco...
Acho que me esforço demasiado em colocar a minha felicidade nas mãos de grandes feitos quando posso ser tão mais feliz no dia a dia... na essência das pequenas coisas.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Quebra de valores

Sinto na pele a tristeza que sinto pelo mundo que habita à minha volta.
Chamam-me de louca quando me mexo por um amigo, não são capazes de fazer um simples sinal com a mão quando faço manobras difíceis só para facilitar a passagem a alguém na estrada e não compreendem as responsabilidades que assumo perante os outros.
É um mundo pouco são onde me isolo gradualmente para evitar sofrer com a estupidez dos outros.
A educação, a cordialidade, a compreensão e tolerância são valores que se perdem no dia a dia... Demorámos séculos a construir valores e códigos de boa educação e depois é sempre mais fácil quebrar a corrente.
Abro a porta do centro comercial e passam 100 pessoas sem que nenhuma me diga para avançar e me segure a porta a mim, quando não levo com ela na cara porque as pessoas nunca olham para trás....
Posso ver o sinal passar a vermelho 2 vezes mas como tenho que ceder prioridade ninguém repara que estou ali há 5 minutos à espera... acabo por ter que me meter e levo uma apitadela...
Cada comportamento que temos influencia a atitude de outros. 
Porque vivemos em sociedade e porque não estamos sozinhos no mundo acho que seria sensato começarmos a olhar a 360º em vez de o foco ser como as palas dos burros: apenas em frente...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Nos céus de Lisboa

Um balão voou no alto dos céus de Lisboa.
Levou com ele os sonhos...os meus e os de muitos.
A rua parou e nenhum ser vivo ficou indiferente à beleza do equilíbrio, da luz e do fogo.
Lembrarei o dia em que a meu lado parte do grupo dos seres mais importantes da minha vida fitavam o céu e perseguiam a ambição com o olhar.
A excitação tomou conta de todos nós... a alegria e os sorrisos contagiaram-nos.
Acho que nestes momentos percebemos o quanto da vida vale a pena.
Sei hoje que um balão voou sobre Lisboa e levou para os céus uma esperança infinita no futuro... 

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Morte

O que se diz quando alguém deixa de habitar esta terra?
O que se faz quando o sopro de uma vida se esvai e desaparece do espaço que partilhamos?
Não sei o que fazer.
Não sei o que dizer.
Dói saber que as minhas palavras nunca mais serão ouvidas ou percebidas.
Que tudo ficou por fazer e por dizer.
Consola-me o dia em que te peguei na mão e te disse "Sou demasiado igual a ti, mas vou tentar conrrigir os nossos defeitos."
Neste momento compreendo porque é mais fácil acreditar que as pessoas quando morrem vão para um lugar melhor. É reconfortante saber que não se extinguiram apenas e que olham por nós num sítio qualquer do Universo.
Vejo uma alma a abandonar esta terra e a atingir a liberdade. Uma liberdade inexistente há demasiado tempo. Sei que agora a dor é apenas nossa, esse é o conforto que preciso.
Queria ter as palavras certas mas não consigo.
Queria saber o que fazer e os meus músculos não respondem  a nenhum estímulo.
Os meus olhos não fitam o horizonte porque o meu cérebro está no passado a recordar... e o sofrimento é atroz.
Não sei lidar com a morte mas talvez também não saiba lidar com a vida.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Violência

Sentir é violento.
Quando algo me atinge como um vendaval é dífícil controlar cada segundo.
Aguentar.
Manter-me quieta quando outro é o desejo. Olhar...fitar...ficar sossegada.
Manter uma distância desnecessária... um espaço que não desejo.
A violência vive no controlo. Vive no medo. Vive na incógnita da reacção.
O coração acelera em silêncio. Nada no meu rosto ou no meu peito consegue traduzir o que se passa nas profundezas das minhas veias.
A respiração adensa-se e deixo que pequenos toques não sejam demasiado óbvios, demasiado expressivos.
A violência dos sentimentos provoca um cansaço imenso e não desejado.
Curiosamente é o mais doce e suportável dos cansaços.