
As flores inundam o espaço enquanto o calor do verão se esvai deixando no ar uma brisa seca de início de outono.
Respiro o ar que me alimenta a alma. Inspiro o doce prazer que este local me traz.
Sou feliz e sei que estás aqui para mim. E ver-te, olhar-te vezes sem conta enche-me a alma e permite-me gravar na memória cada pedaço de ti.
A hora aproxima-se e com ela a garganta fecha-se e a língua parece feita de papel.
Ajeito-me vezes sem conta insegura quanto a tudo o que coloquei hoje. O vestido é demasiado longo, o cabelo devia estar apanhado....
Sentada num banco em frente ao Palácio as flores caiem das árvores à minha volta num espectáculo incrível deixando no chão de brita uma cama de pétalas coloridas.
Não consigo estar sentada. Não consigo estar de pé.
Vejo então um vulto aparecer e desaparecer lá longe entre as árvores e o coração parece querer fugir do meu peito. As mãos começam a vacilar e não sei onde as colocar.
Um sorriso num tímido cumprimento. As palavras morreram na garganta quando a lista de perguntas na minha cabeça não termina nunca.
Uma mão toma nela a minha e em gratidão pouso-a no meu peito: quero que sintas o meu coração bater, porque é por ti que ele bate assim.
As palavras finalmente fluem e cirando à tua volta enquanto trocamos histórias que fazem parte de nós. Sinto-me uma criança em alvoroço.
O sol ameaça fugir e então corremos à praia para lhe dizer adeus e eu deliro com as últimas ondas do dia. A tua presença é um misto de entusiasmo e sossego. Tudo está ainda por dizer e as horas não têm minutos porque o tempo não tem que existir. Persigo a felicidade quando acompanho o teu olhar fincado no meu a pedir-me para não partir.

O sol põe-se contigo deitado no meu colo e os meus dedos a mimarem-te eternamente...
O dia termina com os dois a trautearmos musicas que sabemos de cor, com sorrisos de adolescentes cravados no rosto enquanto desejo que estes momentos durem para sempre.
* escrito no avião para Reykjavik, sobre o oceano e com um rasgão de sol no pólo norte. A entrar no meu dia de Anos (29).