segunda-feira, 14 de maio de 2012

Ferraris e Lamborghinis

Todos os homens desejam Ferraris e Lamborghinis ( quem diz estes fala em todos os outros do mesmo género).
Querem a luxúria do carro, a potência e a velocidade. Amam o Design, a cor, o brilho. 
Adoram o risco, a adrenalina, a pressão. 
Anseiam pelo Status e adoram exibir o seu instrumento. 
Quando passam pelos outros carros sentem-se maiores e mais poderosos. Sentem-se Deuses. 
O único problema é que há carros que não são para qualquer homem: é preciso destreza para os conduzir. 
É preciso dar-lhes atenção, dedicar-lhes tempo. Tratar bem de cada peça e cada encaixe. 
Depois, a condução não é igual a todos os outros carros: pé no acelerador e mão no volante não é suficiente. 
O problema é que todos os homens sonham em ter um Ferrari, ou um Lamborghini ou um Aston Martin, mas a verdade é que a maioria não saberá como controlar o carro, não saberá retirar dele todas as potencialidades, não saberá como fazê-lo responder exactamente como sonhou quando as rodas deslizam sobre os asfalto a 250km/h. 
Todos os homens sonham ter um carro destes.
Nem 10% conseguem aproveitar as funcionalidades da máquina a 100%. 
90% vivem frustrados pelo mau investimento quando é a eles próprios que falta a destreza para conduzir. 
O exemplo do carro é igual ao das mulheres. 

sábado, 14 de abril de 2012

Alucinação

Sinto o vermute escorregar-me na garganta e encontrar um estômago vazio. Sinto-me tonta... vacilante...
Quero dominar o tempo. Quero albergar o mundo. Quero viver sem amanhã. Quero experimentar a loucura. Quero não querer saber. 
Olho pela varanda e o chão parece tão longe e o céu parece tão perto. 
Abandono o corpo e transformo-me: hoje sou poderosa, hoje sou dona de mim. 
Visto a nudez com que nasci e deslizo num movimento felino pelos espaços escondidos do vosso olhar. Sou uma sombra, um sopro, uma miragem. 
Não estou aqui mas todos me conhecem das fantasias que desde sempre tiveram.
Sou aquela que todos desejam. Sou a morte e a vida. Sou a inocência e a sensualidade. 
Sou feita da mesma matéria da fantasia, da mesma inexistência dos sonhos. 
Sou como o álcool: volátil mas consequente. 

Cinza

O mundo está quieto e o ar acinzentado. Podia dizer que a culpa é do tempo mas não é só... 
O fumo do cigarro dispersa-se ao sair da minha boca e irrita-me os olhos. Sinto o vazio que inunda cada um dos espaços que me rodeiam. 
O tempo parece que parou. Não consigo pensar porque pensar implica alguma actividade e a única coisa que realmente quero é dormir. Dormir e viver realidades que não esta. Sonhar com mundos paralelos onde faço o que realmente quero.
Apago. Apago o que fisicamente posso e o que psicologicamente me apetece.
Tudo parece estanho. Tudo está ausente da minha vida.
Quietude. Silêncio. 
Uma paz que não desejo...

sexta-feira, 16 de março de 2012

Adrenalino-cafeína

A adrenalina inunda-me. Sinto que tenho cafeína a correr-me nas veias e o mundo fica cinzento. O tempo deixou de existir. Deixou de fazer sentido. Pareço viciada no sucesso. Estou viciada na perfeição. 
A esquizofrenia, o desdobramento de personalidade, as personagens múltiplas de cada dia. 
Nem sei se isto é medicamente saudável... mas também não importa. 
Sinto o coração a acelerar a cada nova ideia. Sinto o cérebro a explodir quando preciso de dormir. 
É uma espécie de metamorfose em que a carapaça passa a ser de titânio. Nem eu sabia que tinha tanta vontade, tanta força e tanta energia. 
Anseio pelo momento em que irei descansar, em que irei sossegar. 
Só espero que não dure muito: não quero deixar de ser viciada. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Embriaguez

Estou completamente embriagada. 

Normalmente costuma ser uma coisa boa, ou então uma metáfora de algo dito de positivo ou fofo ... mas não: estou embriagada de raiva e ódio. 
Toda a tarde engoli em seco quando o vómito me chegava à boca e quase me saía pelas narinas: não suporto ouvir vozes de quem vive na estratosfera e não conhece o mundo real porque vive numa realidade à parte.

"Quem é você para falar assim, ainda por cima com idade para ser minha filha?" 
Falo assim porque palmilho as pedras da calçada todos os dias, porque assisto aos problemas daqueles que me procuram em busca de auxílio e oiço as suas preocupações e ansiedades. Porque sei que o que preocupa é apenas deixar rebentar as asas e voar sozinha.
Irrita-me. Enervam-me as senhoras que se vestem de luxo da ponta das unhas às plantas dos pés mas que depois não sentem o chão que pisam. Enerva-me que a minha voz não seja ouvida porque sou muito nova e porque qualquer pessoa naquela sala cheia de políticos e de actores da praça pública tenham o dobro da minha idade. Se a minha experiência ( por mais pequena que seja ao menos eu sujei as mãos) não serve de nada, então os vossos euros são dinheiro deitado na sanita. E AINDA ME PERGUNTAM PORQUE É QUE O PAÍS ESTÁ COMO ESTÁ! 

RAIVA, RAIVA, RAIVA! GRRRRRRRRRHHHHHHHHHHH

Enfio a cabeça na almofada e peço a Deus que deixe de doer. Dói-me a estupidez e a ignorância. Dói-me que sejam estas as pessoas com poder sobre a vida dos outros. 

quinta-feira, 1 de março de 2012

Estado de stress

7 da manhã e acordo sem querer. Irrito-me com as coisas que me bloqueiam o caminho à minha volta. Estou chateada, queria dormir mais uma hora.
O meu cérebro acorda-me: não foi por minha vontade que me levantei mas o lado esquerdo lembrou-me da imensidade de coisas por fazer. A responsabilidade não é um peso, é uma peste. Ou uma sanguessuga que se cola e que me relembra sempre que está ali. Não deixo de ser livre! O problema é que uma liberdade condicionada não é liberdade.
Hoje tudo me atrofia e incomoda. Pressinto que o dia vai ser complicado: já estou nervosa e acabei de acordar.
Banho. Roupa. Café. Maquilhagem. Café outra vez. Onde deixei a pasta? As chaves de casa estão na mala? Merda, não tenho tabaco.
Saio de casa e o nevoeiro cobre Lisboa. Que dia fantástico para sair de casa de madrugada.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Caso fosse homem

Acordo e olho o caos à minha volta. Tudo está confuso. Não encontro nada. Que raiva. Quero voltar para a cama. Caso fosse homem e os tempos não fossem estes seria executada. Não sendo homem e estando em tempos destes sou apenas mais uma mulher a tentar impor-se num mundo de homens. 
Fala-se em igualdade mas não acredito nela. Aos olhos da geração anterior sou arrogante porque trabalho sem hora de fim e porque lido com o poder como quem está entre iguais: sem medo. Luto mais que um homem teria que lutar, esforço-me mais. Mas sou mulher, sou um bicho esquisito que antigamente era tratada como demente uma vez por mês. Aparentemente não tenho direito de lutar e deixar a arrumação para trás, não tenho o direito de crescer lá fora, porque o SUPOSTO é que seja uma fada do lar. 
Queimo sempre os tachos, deixo a comida apodrecer, nunca me lembro de por a roupa a lavar. 
Olho para o meu ninho caótico e só tenho duas opções. E nenhuma delas me agrada.