sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Piano

Uma cadência de sons faz o meu sangue reagir a cada nota como se fosse um toque solto... um beijo... 
O coração acelera no vício da repetição.
Sinto um arrepio na espinha e cada centímetro da minha pele a eriçar-se. 
Há um sabor antigo no ar, 400 anos talvez...
No encaixe perfeito de dois pares de lábios há um outro mundo em que o meu olhar é sentido e cada variação da minha respiração é incitada. 
Os teus dedos trespassam e queimam... 
O toque é doce e lento.... 
A emoção é primária e grotesca. 
Esqueço-me de como respirar. Esqueço o controlo. 
Mais uma cadência de notas e não consigo decidir entre arrancar-te do piano ou continuar a ser arrastada na dança das tuas mãos...
Enrosco-me em ti e deixo a minha cabeça descansar no teu ombro. 
Fecho os olhos e o teu cheiro entra em mim... 
Não consigo parar...as notas estão agora ligadas à minha alma. 

Flying

Sinto-me dançar.
Este é um bailado que não termina imerso em sons e sensações constantes de felicidade.
Os meus pés tocam parcamente o chão e toda eu sou salsa, bailado e valsa.
Um rosto vincado por um sorriso constante e um brilho extasiante no olhar: não é só o teu mundo que ganhou cor...
Consigo voar e agora o raio de visão alarga-se até ao infinito... 
Vejo mais longe. Vejo mais além.
Estás no meu mundo não o restringindo... . 
Estranha esta liberdade impressa na minha alma transcendendo cada limitação e dando sentido à minha existência.
Sinto o tempo como vento a correr pelo meu corpo beijado sofregamente pelo calor do sol.
Regozijo na tua presença ausente. 
A vida não acabou. Está apenas a começar.

domingo, 8 de setembro de 2013

Preciso-te

Olho a linha do oceano.

O meu corpo é trespassado pelo frio da manhã... Os meus pés gelam a cada beijo das ondas e marcam a areia virgem nesta vespertina manhã. 
Na minha alma a carência de ti. 
O desejo de um beijo na magia de uma noite encantada, a tua voz profunda a extasiar-me e um olhar que entre o terno e o doce me diz tudo o que preciso. 
O teu corpo comigo. A tua alma na minha.
A saudade é controlável e  passageira... A fome de ti é desespero. 
E cada palavra trocada, cada confissão realizada, cada gesto e cada silêncio foram drogas para um espírito que se perdeu por ti. 
Do outro lado do mundo. Longe da minha mão. 



sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Emptyness

O som de uma mota aproxima-se. 
Pego num isqueiro branco e sorvo um travo no cigarro. 
Notas de um piano multiplicam-se over and over again. 
Na minha boca ainda sinto o sobor da tua... 
No meu peito uma angústia de saber que não estás ao alcance de uma simples mensagem. 
O coração acelera deixando-me ligeiramente confusa quanto à sua inexistência. 
A milhares de km de distância corres atrás de um sonho.... 
O teu, o meu e o de muitos de nós. Orgulho-me e regozijo-me.
No meu mundo privado a minha cama ficou vazia. 
As minhas noites ficam solitárias quando a tua presença era uma certeza. 
A minha mão continua a puxar o telemóvel de 5 em 5 min. 
O sol desce sobre uma Lisboa que para mim está quieta e silenciosa. Parada no tempo talvez. 
E cada minuto multiplica-se por 100 quando sei que não estás ao alcance da minha mão. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Porto seguro

No fim de tarde os meus pés palmilham o caminho quente que me leva pelo labirinto de Serralves. 
As flores inundam o espaço enquanto o calor do verão se esvai deixando no ar uma brisa seca de início de outono. 
Respiro o ar que me alimenta a alma. Inspiro o doce prazer que este local me traz. 
A hora aproxima-se e com ela a garganta fecha-se e a língua parece feita de papel. 
Ajeito-me vezes sem conta insegura quanto a tudo o que coloquei hoje. O vestido é demasiado longo, o cabelo devia estar apanhado.... 
Sentada num banco em frente ao Palácio as flores caiem das árvores à minha volta num espectáculo incrível deixando no chão de brita uma cama de pétalas coloridas. 
Não consigo estar sentada. Não consigo estar de pé. 
Vejo então um vulto aparecer e desaparecer lá longe entre as árvores e o coração parece querer fugir do meu peito. As mãos começam a vacilar e não sei onde as colocar. 
Um sorriso num tímido cumprimento. As palavras morreram na garganta quando a lista de perguntas na minha cabeça não termina nunca. 
Uma mão toma nela a minha e em gratidão pouso-a no meu peito: quero que sintas o meu coração bater, porque é por ti que ele bate assim. 
As palavras finalmente fluem e cirando à tua volta enquanto trocamos histórias que fazem parte de nós. Sinto-me uma criança em alvoroço. 
O sol ameaça fugir e então corremos à praia para lhe dizer adeus e eu deliro com as últimas ondas do dia. A tua presença é um misto de entusiasmo e sossego. Tudo está ainda por dizer e as horas não têm minutos porque o tempo não tem que existir. Persigo a felicidade quando acompanho o teu olhar fincado no meu a pedir-me para não partir. 
Sou feliz e sei que estás aqui para mim. E ver-te, olhar-te vezes sem conta enche-me a alma e permite-me gravar na memória cada pedaço de ti. 
O sol põe-se contigo deitado no meu colo e os meus dedos a mimarem-te eternamente...
O dia termina com os dois a trautearmos musicas que sabemos de cor, com sorrisos de adolescentes cravados no rosto enquanto desejo que estes momentos durem para sempre. 

* escrito no avião para Reykjavik, sobre o oceano e com um rasgão de sol no pólo norte. A entrar no meu dia de Anos (29). 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sonho

Oiço-me dizer o teu nome... Adorava poder dizê-lo vezes sem conta. Repeti-lo até o desgastar e apoderar-me dele tornando-o só meu. 
Sei que me sentiria pequenina enroscada nos teus braços e no teu corpo gigante e simultaneamente descobriria o sossego e o aconchego que tanto preciso. Sentir-me-ia segura, nunca tendo sabido o que isso significa.
Imagino-te. Far-me-ias quebrar. 
Alma de poeta, tão frágil e trágica quanto a minha que perde horas enviando mensagens aos dedos que criam palavras enleadas umas nas outras. Sentidos escondidos talvez....
A música, uma sensibilidade que nos une, quando mesmo sem sabermos são as mesmas notas que nos fazem vibrar o coração.
O mar é uma paixão voraz. As viagens, o sonho que partilhamos.
A felicidade tem o mesmo nome para nós. Existe exactamente nos mesmos lugares.
País atrás de país vamos vivendo a aventura de conhecer novas culturas, adquirir sabedoria e partilharmos um com outro cada por do sol. Somos cúmplices, somos amantes. Experimentamos cada sensação nova e falamos dela até ao amanhecer. Não existem barreiras, medos, limitações: enquanto estiveres aqui tudo para mim fará sentido...
As janelas de uma pequena casa branca por onde o cheiro do mar entra todos os dias. A serenidade do azul e o som delicioso das ondas.  Leonard Cohen ouve-se pela casa enquanto folhas de papel escrevinhadas dormem em cima de um piano. O saxofone está encostado à janela. Na estante multiplicam-se os clássicos. Num pequeno canto intercalam-se os nossos próprios livros. O gato dorme tranquilo no sofá.
Um pequeno relvado estende-se até à areia onde o cão corre livre e feliz e onde um dia irá habitar um parque para as crianças brincarem. Hei-de ouvir o riso estridente de felicidade deles ao serem amados  como ninguém. 
Um barco ancorado à nossa espera. E nele deslizamos sobre a espuma das ondas e naquele lugar verdadeiramente calmo, embalados pela doce ondulação, deito-me no teu peito e deixo que os teus dedos me mimem as madeixas de cabelo cor de areia enquanto o sol arrebita as sardas empoleiradas no meu nariz. As nossas mãos brincam uma na outra e os nossos lábios repletos de sal amam-se na tranquilidade de não existir mais nada. 
E neste sossego abençoado, pode ser que a esperança de um coração renascer exista e que na nossa curiosidade pelo mundo, o nosso mundo seja apenas um.



domingo, 18 de agosto de 2013

Tarde demais

Há uma dor que me corrompe a alma.
O ar deixou de entrar nos pulmões e a garganta fechou-se com o sangue que pulsava demasiado rápido pelo meu pequenino corpo.
A dor foi da urgência... foi de não te ter dito não. 
Provei o oposto da minha missão.
Mostrei a única coisa que não faz parte de mim. 
Deixei-me consumir pela inconsciência e agora a consciência mata.
Guardar-te-ei na memória de algo que nunca aconteceu. 
Se ouvisses a verdade nunca nela acreditarias ... é tarde demais.